A Direção Executiva do Sindicato APEOC, reunida na última quarta-feira (15), fez uma avaliação do momento político e econômico do Brasil e analisou os reflexos desse panorama na Educação Pública e na vida profissional dos servidores desse setor. O cenário atual é preocupante. As investidas do governo interino contra direitos históricos dos trabalhadores e o forte ajuste fiscal ameaçam a escalada ascendente da Educação dos últimos anos. Além disso, a possibilidade de corte de fontes prioritárias de financiamento da Educação, como royalties do pré-sal, demonstra o caráter golpista do mandato de Michel Temer. Tudo isso tem impacto direto na Educação Pública e na remuneração dos profissionais.

A greve dos professores passa por um dos momentos mais difíceis desde que foi deflagrada há dois meses. Sendo a sua duração mesmo, um problema, não é, no entanto, o mais grave.

De ordem e grandeza diversificada, alguns com elevado grau de objetividade formam o campo de cultura de onde afloram situações como a que vivem os servidores de todas as esferas, mais particularmente, dos estados e municípios.  A crise tem dado o tom do discurso  escrito no quadro “negro” do reajuste zero.

Pano de fundo do impasse instalado entre os professores em greve e o governo do estado,  não está , no entanto, ao alcance da categoria influir decisivamente sobre essa realidade. A não ser como parte de uma unidade maior e mais ampla. O governo do interino golpista ataca e promete atacar mais ainda a educação, ameaçando conquistas fundamentais como a lei do piso e a dos royalties. Só uma reação organizada em nível nacional, pode garantir a manutenção desses avanços.

A  queda de braço com o governo do estado, encontra-se por hora  em uma situação de equilíbrio instável. A superação do impasse depende em grande parte da capacidade da categoria de agir em acordo com uma estratégia refletida coletivamente. Ciente no entanto, que cabe ao governador Camilo Santana a prerrogativa da decisão final.

Um cenário de grande complexidade que exige da categoria ação organizada cuja eficácia dependerá fundamentalmente de sua unidade neste momento.

Infelizmente alguns seguimentos politicamente organizados da categoria não parecem ter essa compreensão, instrumentalizando a democracia e a unidade como conceitos vazios aplicados somente em seu benefício e em função dos seus interesses.

Se até então resumiam a aplicar sistematicamente práticas de assédio moral exclusivamente contra a direção sindical, ampliam o foco agora para os próprios colegas de base. Sem falar que antes disso, atropelaram o comando de greve e à própria assembleia, constituindo comitês paralelos e parasindicais em total desrespeito às instâncias que garantem a todos direito de participar das decisões coletivas. Para esse seguimento não se trata de propor, mas de impor.

O Sindicato APEOC reafirmou a defesa da escola pública e gratuita, com a garantia de melhores condições de ensino e trabalho, ampliação do acesso e condições de permanência com êxito para todos os alunos e alunas.

Sobre a Greve Geral da Educação, prestes a completar dois meses, a direção executiva criticou a postura do Governo do Estado por não conceder reajuste geral aos servidores e por se negar a reabrir as negociações com os profissionais da Educação. De antemão, o Sindicato reforçou as premissas para orientar a categoria nesse momento tão delicado da paralisação. Além de pressionar o Executivo a negociar sob essas condições, a estratégia é para garantir conquistas básicas para os trabalhadores:

  1. Foco total no reajuste;
  2. Busca da retomada das negociações;
  3. Ampliação do esforço jurídico para garantir apoio a qualquer tipo de retaliação do Governo e da Justiça.
  4. Discutir a pauta pedagógica sem prejuízo e com foco na valorização da remuneração;
  5. Garantir o debate ouvindo os diversos setores da categoria sobre proposta e contraproposta.
Neste sentido a executiva após amplo debate, compreendendo a urgência em garantir à todos e todas o direito de expor sem xingamentos, vaias, insultos ou ameaças suas posições. Mediante o impasse de nossa luta, como encaminhamento do encontro, será realizada na próxima segunda-feira (20) uma reunião da Executiva do Sindicato. O encontro será transmitido ao vivo pela internet. Diante disso, quem quiser apresentar alguma contraproposta de remuneração, deve aproveitar esse espaço.

Para garantir a segurança das próximas Assembleias Gerais e o do bom funcionamento da mesma, a partir de agora só será permitida a entrada de professores e funcionários da Educação.

Direção Executiva do Sindicato APEOC